"Mas isso não é do mal?"
Essa é, provavelmente, a pergunta que mais ouço quando alguém descobre que sou Bokor Vodou. Às vezes vem com curiosidade, às vezes com medo, às vezes com julgamento. E eu entendo: durante décadas, filmes, novelas e pregações ensinaram as pessoas a associar a palavra "Vodou" a maldição, sacrifício e trevas.
Esta pergunta merece uma resposta séria. E a resposta começa com outra pergunta.
O que é o "mal"?
Toda tradição espiritual do mundo reconhece que existem forças poderosas, e que elas podem ser usadas de formas diferentes. A oração pode pedir cura ou pedir desgraça para o vizinho. O conhecimento das ervas pode curar ou envenenar. A palavra pode consolar ou destruir.
O que torna algo bom ou mau não é a tradição, é o uso e a intenção.
O Vodou não é diferente. Ele é uma religião completa, com uma visão de mundo, uma ética e uma relação profunda com o sagrado. Reduzi-lo ao "mal" é tão injusto quanto julgar qualquer outra religião pelos atos de quem a usou de forma errada.
Como o Vodou enxerga o equilíbrio
O Vodou não divide o mundo de forma simples entre anjos e demônios. Ele enxerga a vida como um conjunto de forças que precisam estar em equilíbrio: vida e morte, calor e frio, começo e fim.
É por isso que os lwa têm personalidades complexas. Eles podem ser generosos e exigentes, protetores e severos. Assim como as pessoas.
E é por isso que, na tradição, existe um valor tão forte ligado à justiça. Baron Samedi, o lwa que rege a minha linha, é conhecido justamente por não admitir injustiças. Na tradição, ele não serve a quem quer apenas prejudicar os outros por capricho: ele coloca as coisas em equilíbrio.
E a morte? Os cemitérios? As caveiras?
Muita gente se assusta com os símbolos da Família Guedê: caveiras, cruzes, cartolas pretas, cemitérios. Mas, no Vodou, a morte não é vista como algo maligno. Ela é parte natural da existência, uma passagem.
Os Guedê são os guardiões dessa passagem. Eles lembram os vivos de que a vida é curta, de que ninguém escapa da morte e, justamente por isso, de que é preciso viver com verdade. Não por acaso, os Guedê são conhecidos pelo humor, pela irreverência e pela capacidade de dizer o que ninguém tem coragem de dizer.
Em muitas culturas, inclusive a brasileira, o respeito aos mortos e aos ancestrais é algo profundamente sagrado. No Vodou também.
De onde vem o preconceito
Parte do preconceito contra o Vodou nasceu no período colonial, quando uma religião de pessoas escravizadas passou a ser vista como ameaça, especialmente depois que o Haiti conquistou sua independência. Parte veio do cinema, que transformou uma tradição rica em cenário de filme de terror. E parte vem de um preconceito mais amplo contra religiões de matriz africana, que o Brasil conhece muito bem.
Vale lembrar: no Brasil, a discriminação por motivo de religião é crime. O respeito às diferentes crenças é um direito de todos.
E os trabalhos espirituais?
É verdade que o Vodou, como muitas tradições, realiza trabalhos para situações específicas da vida: amor, proteção, caminhos, justiça, limpeza. E é verdade que o bokor, como expliquei no artigo sobre o seu papel, conhece forças intensas.
Mas conhecer uma força não significa usá-la de forma irresponsável. No Santuário, os trabalhos são conduzidos com respeito às forças espirituais e ao princípio de justiça que rege a linha de Baron Samedi. Buscar proteção, abrir caminhos, desfazer o mal que foi feito, restaurar o equilíbrio: é isso que orienta o trabalho.
Então, Vodou é do mal?
Não. O Vodou é uma tradição espiritual antiga, nascida da resistência de um povo, que reconhece a complexidade da vida e das forças que a governam. Como toda tradição, ela pode ser praticada com seriedade ou de forma irresponsável. A diferença está em quem pratica.
Conheça o trabalho sério do Santuário
Sou o Bokor Jan Pe, tenho mais de 27 anos de caminhada espiritual e trabalho na linha da Família Guedê e de Baron Samedi. No Santuário Vodou:
- Cada trabalho tem descrição e valor publicados no site.
- A contratação e o pagamento são feitos pela Área do Cliente, via Pix para a conta da empresa.
- Você acompanha o andamento e tira dúvidas pelo painel.
- O atendimento é a distância e totalmente sigiloso, para que você não precise se expor a julgamentos de ninguém.
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Quer entender melhor a tradição? Leia também O Que É Vodou de Verdade e A Família Guedê.
Serviços exclusivos para maiores de 18 anos. Os resultados variam de pessoa para pessoa e os trabalhos não substituem atendimento médico, psicológico, jurídico ou financeiro.
