Quem começa a pesquisar sobre Vodou logo encontra três palavras que parecem significar a mesma coisa: houngan, mambo e bokor. Todas se referem a pessoas que trabalham com os espíritos. Mas, dentro da tradição, cada uma carrega um sentido próprio.
Neste artigo, vou explicar essas diferenças e falar sobre o papel do bokor, que é o caminho que eu sigo.
Houngan e Mambo: os sacerdotes do templo
No Vodou haitiano, houngan é o sacerdote e mambo é a sacerdotisa. São pessoas que passaram por iniciação e assumiram a responsabilidade de conduzir uma comunidade religiosa.
Eles costumam dirigir um templo, chamado ounfò (ou hounfort), que tem no centro o poto mitan, o pilar sagrado por onde, segundo a tradição, os espíritos descem durante as cerimônias.
As funções de um houngan ou de uma mambo incluem:
- Conduzir as cerimônias da comunidade.
- Iniciar novos praticantes.
- Aconselhar e orientar os fiéis.
- Realizar tratamentos espirituais e trabalhos de cura.
- Servir os lwa em nome do grupo.
É uma função comunitária, ligada à vida religiosa de um grupo de fiéis.
O Bokor: o que trabalha com as duas mãos
O bokor ocupa um lugar diferente dentro da tradição. Ele é conhecido como aquele que serve os lwa "com as duas mãos", ou seja, que conhece tanto os trabalhos da mão direita, ligados à proteção, à cura e à abertura, quanto os da mão esquerda, ligados às forças mais intensas e aos trabalhos de ataque e de defesa.
Enquanto o houngan e a mambo estão ligados principalmente à vida religiosa de uma comunidade, o bokor é tradicionalmente procurado por pessoas que precisam de trabalhos específicos para resolver situações da vida: amor, proteção, caminhos, justiça.
Esse conhecimento das duas mãos é o que dá ao bokor uma característica importante: quem conhece os dois lados sabe reconhecer e desfazer o que foi feito. Não é por acaso que pessoas que acreditam ter sido atingidas por um trabalho costumam procurar justamente um bokor.
Por que o bokor é cercado de mistério
Ao longo da história, a figura do bokor foi alvo de muito preconceito, inclusive dentro do próprio Haiti. Livros e filmes transformaram o bokor em vilão, associado a zumbis, maldições e magia do mal.
É verdade que, como em qualquer área, existem pessoas que usam o conhecimento espiritual de forma irresponsável. Mas o que define o caráter de um bokor não é o poder que ele tem, e sim o que ele faz com esse poder.
A responsabilidade de quem trabalha com as duas mãos
Justamente por conhecer forças intensas, o bokor carrega uma responsabilidade maior. Trabalhar com esse conhecimento exige:
- Iniciação e preparo, anos de aprendizado.
- Respeito às forças com que se trabalha.
- Discernimento para saber o que fazer e o que não fazer.
- Honestidade com quem procura ajuda, inclusive para dizer que um trabalho não é o caminho certo.
A minha linha: Família Guedê e Baron Samedi
Sou o Bokor Jan Pe, tenho mais de 27 anos de caminhada espiritual e trabalho na linha da Família Guedê e de Baron Samedi. Baron é o senhor dos cemitérios, das passagens e da justiça. Na tradição, ele é conhecido por não admitir injustiças e por colocar as coisas em equilíbrio.
É com esse espírito que conduzo os trabalhos do Santuário: com seriedade, respeito às forças espirituais e compromisso com quem me procura.
Como funciona o atendimento no Santuário
- Cada trabalho tem descrição e valor publicados no site, para que você escolha com clareza.
- A contratação e o pagamento são feitos pela Área do Cliente, via Pix para a conta da empresa.
- O trabalho é realizado no templo, em Erechim/RS, com atendimento totalmente a distância.
- Você acompanha o andamento e tira dúvidas pelo painel.
- Sigilo total.
Não prometo resultado garantido. Os resultados variam de pessoa para pessoa, e quem garante está mentindo.
Conheça o trabalho de um bokor sério
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