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Santuário Vodou
Jandir Pedro Rui, o Bokor Jan Pe

Família Guedê e Baron Samedi

Prazer, eu sou Jan Pe.

Meu nome de batismo é Jandir Pedro Rui. Nasci em Nova Prata, na Serra Gaúcha, em 1985, e sou eu quem conduz, pessoalmente, cada trabalho feito no Santuário Vodou. São mais de 27 anos de caminhada espiritual e prática, contados desde que entrei para a Quimbanda, aos quinze anos, e hoje dedicados ao Vodou haitiano. Nesta página conto essa história por inteiro: de onde vim, o que estudei, o que pratico hoje e o que nunca vou prometer a você.

Se você chegou até aqui, é provável que esteja atravessando um momento delicado ou procurando orientação espiritual séria. Antes de confiar sua história a alguém, você tem o direito de saber quem está do outro lado. Por isso esta página responde, com clareza, às perguntas que qualquer pessoa deveria fazer: quem é você, como começou, o que estudou, qual tradição pratica, o que faz e o que não promete.

Linha do tempo

Minha história não é uma linha reta. Passei por tradições diferentes, fiquei em algumas, saí de outras e fui mudando de rumo à medida que encontrava ou deixava de encontrar respostas. Algumas fases aconteceram ao mesmo tempo: enquanto aprendia uma tradição, eu seguia estudando outras. Esta é a sequência, sem cortes:

  1. 1985 Nasço em Nova Prata, no interior do Rio Grande do Sul.
  2. Aos 9 anos Entro para um seminário católico. É aqui que nasce o meu primeiro chamado para a vida espiritual.
  3. Dos 15 aos 17 anos Frequento um templo de Quimbanda. É aqui que começo a contar os meus anos de prática.
  4. A partir dos 17 anos Começo a estudar e praticar Kabbalah, Alta Magia e Magia Salomônica, estudos que sigo em paralelo nos anos seguintes.
  5. 2002 Em São Paulo, chego ao Vodou e sou iniciado por um houngan haitiano. Passo a trabalhar na linha da Família Guedê e de Baron Samedi, sem deixar de estudar outras linhas.
  6. 2025 Fundo o Santuário Vodou, com templo em Erechim (RS) e atendimento exclusivamente a distância, por meio de uma empresa registrada em meu nome.

Não escondo nenhuma dessas etapas. Há quem prefira apagar o passado para parecer que nasceu pronto na tradição que pratica hoje; eu acho que você merece saber o caminho inteiro. Cada fase deixou algo que ainda uso, e cada saída também me ensinou alguma coisa.

O seminário: o primeiro chamado

Entrei para um seminário católico com apenas nove anos. Eu era um menino, mas já sentia um chamado forte para a vida espiritual, e o seminário era, naquele momento e naquele lugar, o caminho que existia para quem sentia isso. Na Serra Gaúcha, uma região formada em grande parte por imigrantes italianos e de forte tradição católica, a Igreja era o primeiro e mais natural contato de uma criança com o sagrado.

Com o tempo, percebi que o sacerdócio cristão não respondia às perguntas que queimavam no meu peito. Não saí por falta de fé, e sim porque a fé que eu buscava pedia outros caminhos. Mesmo assim, foi ali que a vida espiritual deixou de ser algo distante e passou a ser uma escolha pessoal.

A Quimbanda: a prática com os pés no chão

Aos quinze anos, pisei pela primeira vez em um templo de Quimbanda e fiquei até os dezessete. A Quimbanda é uma tradição religiosa afro-brasileira que trabalha com Exus e Pombagiras, e o Rio Grande do Sul é um dos estados onde as religiões de matriz africana têm presença mais forte, convivendo com o Batuque e a Umbanda.

Se o seminário me deu o chamado, a Quimbanda me deu a prática. Foi a primeira vez que vivi o sagrado dentro de um templo de trabalho espiritual, com rituais, fundamentos e obrigações, e não apenas com orações e estudo. Foi um aprendizado concreto, de terreiro, e é dali que conto os meus anos de caminhada e prática, porque foi ali que entrei de fato para a magia. O Vodou veio depois, como consequência desse caminho.

Saí da Quimbanda aos dezessete anos. O terreiro pertencia a uma tia minha, e a relação familiar, muito próxima, acabava restringindo o meu crescimento ali dentro. Eu também estava saturado de seguir padrões rígidos e limitados demais para as perguntas que carregava. Não foi uma ruptura com a espiritualidade, e sim a necessidade de ir além.

O esoterismo ocidental: os anos de estudo

Depois da Quimbanda, mergulhei nos livros e nas práticas do esoterismo ocidental, estudos que segui fazendo em paralelo mesmo depois de chegar ao Vodou. Estudei a Kabbalah, a tradição mística de origem judaica que descreve a criação e o caminho do ser humano até o divino por meio da Árvore da Vida. Passei pela Alta Magia, a vertente cerimonial do ocultismo europeu, baseada em ritual, disciplina e correspondências simbólicas. E trabalhei com a Magia Salomônica, a tradição dos grimórios atribuídos ao rei Salomão, como a Clavícula de Salomão.

Essa fase me deu algo que as outras não deram da mesma forma: método. Aprendi a estudar fontes, a comparar tradições, a respeitar a estrutura de um ritual e a desconfiar de atalhos. É um aprendizado que carrego até hoje para o Vodou, embora o Vodou não seja uma tradição de livros, como explico a seguir.

O encontro com o Vodou

Minha chegada ao Vodou não foi um estalar de dedos nem a busca por um nome exótico. Foi um processo lento, de estudo, paciência e prática.

Em 2002, depois de me mudar para São Paulo, conheci um grupo de haitianos que haviam deixado o Haiti e buscado refúgio no Brasil. Foi por meio deles que o Vodou deixou de ser, para mim, um assunto de livros e passou a ser uma tradição viva, praticada por quem nasceu dentro dela.

Dentro desse grupo havia um houngan, um sacerdote do Vodou, que aceitou me transmitir o conhecimento e me iniciar na tradição. Não foi em uma casa conhecida ou tradicional: tudo foi feito de forma reservada e privada. Por respeito a ele e ao que me foi passado, preservo esses detalhes. Enquanto aprendia o Vodou, eu continuava dedicando parte do meu tempo ao estudo de outras linhas, e por isso essas fases se cruzam na minha história.

Quando se fala em Vodou aqui no Ocidente, a maioria das pessoas pensa em filmes de terror, bonecos cheios de alfinetes e maldições caricatas. Quem se aproxima de verdade encontra outra coisa. O Vodou é uma religião que se formou no Haiti a partir de tradições da África Ocidental e Central, reunidas e reinventadas por povos escravizados. Foi perseguido por séculos e só foi reconhecido oficialmente como religião pelo Estado haitiano em 2003.

No Vodou existe um Deus criador, chamado Bondye, que é distante dos assuntos do dia a dia. A relação cotidiana acontece com os Lwa, os espíritos que atuam como intermediários, e com os ancestrais. Os Lwa se organizam em famílias e nações, como os Rada e os Petwo, cada uma com seus fundamentos, cores, oferendas e formas de serviço. É uma tradição transmitida de forma oral e prática, dentro das casas, e não em cursos ou livros.

O Vodou também é vasto. Existem muitas linhagens, casas e formas de prática espalhadas pelo Haiti e pela diáspora. Não tenho a pretensão de dizer que a minha prática representa todo o Vodou existente. O que apresento aqui é o meu caminho, a minha linha de trabalho e a forma como a tradição vive no meu dia a dia.

A Família Guedê e Baron Samedi

Minha prática no Santuário é centrada na Família Guedê (também escrita Gede) e no trabalho com Baron Samedi. Os Guedê são os Lwa ligados aos mortos, à ancestralidade e à passagem entre a vida e a morte. Baron Samedi é tradicionalmente reconhecido como o chefe dessa família, ao lado de sua companheira, Maman Brigitte, e é associado aos cemitérios e às encruzilhadas entre os mundos.

Muita gente se surpreende ao descobrir que os Guedê não são sombrios. Eles são conhecidos pelo humor irreverente, pela franqueza e pela intimidade com a vida justamente por conhecerem a morte. São vistos como protetores das crianças, como curadores e como aqueles que lembram que ninguém escapa do fim, e que por isso não faz sentido viver de aparências. No Haiti, os Guedê são celebrados no início de novembro, no período em que se honram os mortos.

É na linha do Guedê que encontro a força para o trabalho que faço: passagens, ancestralidade, proteção, transformação e o enfrentamento dos limites da vida. Essa escolha de linha explica também o tom do Santuário: direto, sem teatro e sem promessas que a vida não cumpre.

Por que Bokor

Não vou fingir que é uma palavra neutra. No Haiti, "bokor" costuma designar quem trabalha com magia por encomenda, e é comum ser colocado em contraste com o houngan e a manbo, os sacerdotes que conduzem uma casa de Vodou. Também é associado à expressão "servir com as duas mãos". Quem pesquisar o termo vai encontrar essas definições, e prefiro que você as leia aqui primeiro, pela minha boca.

Não foi uma escolha minha. Depois da instrução e da iniciação, foi o próprio houngan que me iniciou quem disse que eu seria bokor: alguém que detém o conhecimento, a força e o poder, mas que não está dentro de uma comunidade nem a representa. Por isso trabalho a partir do meu próprio templo, de forma independente, e falo apenas pelo meu caminho, não em nome do Vodou como um todo.

O que é público e o que é reservado

Transparência não é expor os segredos da religião na internet. É deixar claro o que pode ser mostrado e o que deve permanecer protegido. Por isso separo as duas coisas:

O que é público: quem eu sou, a minha trajetória, a tradição e a linha em que trabalho, a empresa por meio da qual atendo, como o atendimento funciona, quanto custa cada trabalho e o que eu não faço. Tudo isso está neste site e pode ser conferido.

O que é reservado: o Vodou não é um curso comercial com certificado de parede. Existem ritos, transmissões orais e obrigações que pertencem à prática privada e só são passados dentro da tradição. Esses conteúdos você não vai ver expostos aqui nem nas redes sociais, e desconfie de quem os expõe.

Pelo mesmo motivo, não invento graus nem títulos para preencher espaço. Se algo sobre a minha formação puder ser comprovado publicamente, estará listado abaixo.

Por que o Santuário existe

Criei o Santuário porque me incomodava ver a espiritualidade tratada com mistério excessivo, promessas falsas e pouco respeito pelo sofrimento de quem procura ajuda. Quem chega a um trabalho espiritual geralmente chega fragilizado, e é justamente nesse momento que a pessoa mais precisa de alguém honesto.

O Santuário nasceu para ser o contrário disso: um espaço organizado, com empresa registrada, preços claros, termos de uso, política de cancelamento e uma Área do Cliente onde você acompanha o que foi contratado. O atendimento é feito exclusivamente a distância, e cada trabalho é conduzido pessoalmente por mim, sem intermediários e sem terceirização.

Como funciona o atendimento

Antes de acender uma vela ou fazer qualquer ritual, eu escuto a sua história. O processo tem três etapas:

  1. Escuta e avaliação. Conversamos para eu entender a sua situação. Nem todo problema precisa de trabalho espiritual. Às vezes a pessoa precisa de uma conversa, de um direcionamento claro ou de um médico, psicólogo ou advogado, e se for o caso é isso que vou te dizer.
  2. Proposta clara. Se houver um trabalho compatível com a sua necessidade, explico o que é, como é feito, quais são as condições e qual é o valor. A decisão de seguir é sempre sua, sem pressão e sem chantagem emocional.
  3. Execução e acompanhamento. Depois da contratação, preparo e conduzo o ritual dentro dos fundamentos da tradição. Quando aplicável, você acompanha o andamento pela Área do Cliente.

Por trás dessas etapas estão cinco princípios:

  • Respeito à tradição: não altero fundamentos para vender mais fácil.
  • Sigilo sobre o seu caso: o que você me conta fica entre nós.
  • Clareza: preços, condições e limites ditos antes, não depois.
  • Responsabilidade com a sua saúde: trabalho espiritual não substitui cuidado médico, psicológico ou jurídico.
  • Honestidade: quando eu não souber, vou dizer "não sei".

O que eu faço e o que não faço

O que eu faço

  • Consultas e orientação espiritual
  • Trabalhos de proteção e limpeza
  • Abertura de caminhos
  • Acompanhamento espiritual para questões afetivas e de prosperidade
  • Trabalhos específicos da tradição da Família Guedê

O que eu não faço (e nunca vou prometer)

  • Não prometo milagres nem "trazer a pessoa amada em 3 dias".
  • Não prometo controlar a vontade ou a mente de ninguém.
  • Não garanto cura de doenças nem vitória em processos na Justiça.
  • Não garanto resultados. Trabalho espiritual lida com fé, energia e religiosidade, não com botões mágicos.

Se você procura alguém que prometa certezas absolutas, eu não sou essa pessoa. Prefiro te dizer um "não sei" a te dar uma garantia falsa.

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Autoridade se constrói com tempo

Não preciso me apresentar como "o mais poderoso" ou "o único". Acredito que a autoridade de um praticante se constrói com anos de caminhada, com coerência entre o que diz e o que faz, e com o respeito às pessoas que o procuram. São mais de 27 anos de estudo, prática e mudanças de rumo, todos contados nesta página, e uma empresa com nome, CNPJ e endereço de templo que você pode conferir.

Se você chegou até aqui procurando orientação, será recebido com respeito, sigilo e clareza. Sem caricaturas, sem exagero e sem enrolação.

Bokor Jan Pe

Jandir Pedro Rui · Santuário Vodou, Erechim (RS)

Atendimento exclusivamente a distância.

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