Para muita gente, a simples imagem de um Guedê já causa arrepio. O rosto pintado como caveira, as roupas pretas, a ligação com cemitérios e com os mortos. É fácil concluir que se trata de espíritos sombrios, ameaçadores, ligados ao mal.
Mas essa conclusão diz mais sobre a forma como a nossa cultura enxerga a morte do que sobre os Guedê.
Como a nossa cultura enxerga a morte
Em boa parte do mundo ocidental, a morte é tratada como algo a ser evitado, escondido, silenciado. Não se fala sobre ela. Os mortos são levados para longe. As crianças são poupadas dos velórios. O luto precisa ser rápido.
Nesse contexto, qualquer símbolo ligado à morte parece assustador.
Como o Vodou enxerga a morte
No Vodou haitiano, a relação é diferente. A morte não é o fim absoluto, mas uma passagem. Os mortos não desaparecem: eles continuam presentes, como ancestrais, e merecem respeito, cuidado e memória.
Dentro dessa visão, os Guedê não são os causadores da morte. Eles são os guardiões da passagem, aqueles que acompanham a travessia e zelam pelos que já partiram.
Esse jeito de ver a morte não é exclusivo do Vodou. Ele aparece em muitas culturas do mundo, como no Dia de Muertos, no México, em que os mortos são lembrados com flores, comidas, música e alegria. E está presente também no Brasil, no Dia de Finados, quando tantas famílias visitam os túmulos de seus entes queridos.
Os Guedê como protetores
Na tradição, os Guedê têm vários papéis que nada têm de assustadores:
Guardiões dos mortos. Eles zelam pelos que partiram e garantem o respeito à sua memória.
Protetores dos vivos. Por conhecerem a morte, acredita-se que podem decidir não levar alguém antes da hora. Por isso, são chamados em situações de doença e perigo.
Protetores das crianças. Na tradição haitiana, os Guedê são vistos também como protetores dos pequenos.
Guardiões da verdade. Diante da morte, as aparências não valem nada. Os Guedê desmascaram mentiras e zombam da hipocrisia.
Forças de justiça. Liderados por Baron Samedi, os Guedê estão ligados ao equilíbrio e à justiça, e não admitem abusos.
Os símbolos, explicados
A caveira: lembra que todos somos iguais diante da morte, e que a vida é passageira.
A cartola e as roupas de gala: remetem aos trajes dos funerais, a roupa de quem acompanha a travessia.
Os óculos escuros: na tradição, os Guedê olham para os dois mundos. Diz-se que, às vezes, usam os óculos com uma lente só, um olho voltado para os vivos e outro para os mortos.
As cores roxa e preta: cores do luto e do mistério.
A cruz: marca o cemitério e a presença de Baron, o guardião.
O medo também afasta a verdade
Quando temos medo da morte a ponto de não conseguir pensar nela, deixamos de refletir sobre como estamos vivendo. Os Guedê, com sua presença, lembram o contrário: justamente porque a vida acaba, ela precisa ser vivida com verdade, coragem e intensidade.
Respeito, sim. Medo, não.
Não há motivo para temer os Guedê. Mas há, sim, motivo para respeitá-los. São forças poderosas, e trabalhar com elas exige preparo e iniciação. Rituais improvisados, oferendas feitas sem conhecimento e brincadeiras com o sagrado são desaconselhados pela tradição.
A linha dos Guedê no Santuário Vodou
Sou o Bokor Jan Pe, tenho mais de 27 anos de caminhada espiritual e trabalho na linha da Família Guedê e de Baron Samedi. É com essa força protetora, justa e ligada às passagens da vida que conduzo os trabalhos do Santuário, sempre com respeito, seriedade e sigilo.
- Cada trabalho tem descrição e valor publicados no site.
- A contratação e o pagamento são feitos pela Área do Cliente.
- Você acompanha o andamento e tira dúvidas pelo painel.
- Atendimento a distância e sigiloso.
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